Manta de Retalhos VII
Retalhista anterior: Pepe Santiago
E eu a dar-lhe com a reunião, já devia saber que é amanhã, acho que estou a ficar senil, e com tanta variação de humor, também esquizofrénico.
Olha que situação engraçada! Cinco réis de gente a ameaçar-me com uma barra de ferro que é quase da altura dele. Que é que eu faço agora… Gentilmente profiro “ ó espécie de hobbit mal acabado traçado de ewok, o que é que vai fazer afinal com essa agulha de tricot? Espero que não esteja a pensar em descompor a minha linda figura.”
Não tardou a resposta. A brandir a barra ferrugenta, o taxista encheu a boca, e com a peruca segura pela pouca cola ou graxa, não tenho a certeza, que lhe restou depois do cachaço que lhe mandei, disse com toda a educação que os seus paizinhos e a profissão lhe deram: “Ó grandessíssimo filha da puta, entras assim no meu táxi e pensas, que lá por teres um fato e uma gravata, podes fazer tudo o que te apetece? Anda cá que eu vou-te contar uma história que nunca mais vais esquecer!”

“Desculpe, antes de fazer qualquer coisa, devo dizer-lhe que acabou de cometer um erro gramatical.” Disse eu com toda a segurança aparente, mas já com os meus órgãos internos borrados de medo.
“Eu sou um homem, logo quando profere “filha da puta” está errado. Tem que haver uma concordância entre o que profere e o meu género que neste caso é masculino. Deste modo, a expressão seria “filho da puta”, entendeu?”
“Estou-me a cagar para essas merdas, ó roto de merda, eu falo como bem me apetecer e já vais ver que tenho razão!”
Começa a correr atrás de mim, e começo a lembrar-me quando era puto e fugia dos brutamontes, cagadinho de medo, mas sempre a insultá-los, com o parco vocabulário que possuía na altura. Invariavelmente saía sempre a mesma coisa, maricas, maricôncio, corno, cabrão, que mais que isso já dava direito a umas reguadas.
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