Gajas boas

Friday, June 17, 2005

Manta de Retalhos VII

Retalhista anterior: Pepe Santiago
E eu a dar-lhe com a reunião, já devia saber que é amanhã, acho que estou a ficar senil, e com tanta variação de humor, também esquizofrénico.

Olha que situação engraçada! Cinco réis de gente a ameaçar-me com uma barra de ferro que é quase da altura dele. Que é que eu faço agora… Gentilmente profiro “ ó espécie de hobbit mal acabado traçado de ewok, o que é que vai fazer afinal com essa agulha de tricot? Espero que não esteja a pensar em descompor a minha linda figura.”

Não tardou a resposta. A brandir a barra ferrugenta, o taxista encheu a boca, e com a peruca segura pela pouca cola ou graxa, não tenho a certeza, que lhe restou depois do cachaço que lhe mandei, disse com toda a educação que os seus paizinhos e a profissão lhe deram: “Ó grandessíssimo filha da puta, entras assim no meu táxi e pensas, que lá por teres um fato e uma gravata, podes fazer tudo o que te apetece? Anda cá que eu vou-te contar uma história que nunca mais vais esquecer!”

“Desculpe, antes de fazer qualquer coisa, devo dizer-lhe que acabou de cometer um erro gramatical.” Disse eu com toda a segurança aparente, mas já com os meus órgãos internos borrados de medo.

“Eu sou um homem, logo quando profere “filha da puta” está errado. Tem que haver uma concordância entre o que profere e o meu género que neste caso é masculino. Deste modo, a expressão seria “filho da puta”, entendeu?”

“Estou-me a cagar para essas merdas, ó roto de merda, eu falo como bem me apetecer e já vais ver que tenho razão!”

Começa a correr atrás de mim, e começo a lembrar-me quando era puto e fugia dos brutamontes, cagadinho de medo, mas sempre a insultá-los, com o parco vocabulário que possuía na altura. Invariavelmente saía sempre a mesma coisa, maricas, maricôncio, corno, cabrão, que mais que isso já dava direito a umas reguadas.
Próximo retalhista: Manannan

Friday, May 27, 2005

Manta de Retalhos

Retalhista Anterior: Quiosk
Retalho IV
Que suave despertar. Abro os olhos e vejo à minha frente um yuppie de fato e gravata. Olhos grandes e castanhos, boca bem delineada, lábios grossos, cabelo pelo ombro que parece ter sido implantado para combinar com as riscas cor camel do fato.

Baixo, mas não muito, peitorais no sítio exactamente como gosto. Vira-te lá para me lembrar do teu rabo…

Se o sono não me engana era mesmo disto que eu andava á procura.

Atiro qualquer coisa para ao ar que se assemelha a pequeno-almoço e ovos. Estás com essa cara de admirado porquê, disse alguma coisa de mal - penso.

Ele vira costas e eu aproveito para vasculhar as gavetas da casa de banho e não encontro escova de dentes. Que se lixe, vou usar a dele, afinal quem partilha a saliva e outros que tal também pode partilhar a escova.

Telemóvel. Está a tocar. Meu deus, são nove e meia da manhã, devia estar a trabalhar.

“Sim” digo com a minha voz de cama da qual gosto tanto.

“Sim… Sim, concerteza, marcámos para a hora do almoço.”

“Lá estarei. Até já.”

Rápida e eficaz, é assim que a mulher moderna deve ser.

Mas onde raio estava eu com a cabeça ontem à noite?! Começa a “aninha” a funcionar e perdes a cabeça. Esqueces do que te envolve e das responsabilidades.

Ligo o piloto automático e começo a arranjar-me. De escova de dentes na boca começo a esquadrinhar o quarto. Bom gosto, mobília de design, quadros que oscilam entre o abstracto e o neoplasticismo… Sim senhor desconhecido, está muito bem posto em tudo!

Das duas uma , ou há uma mulher cá em casa, a julgar pela arrumação e o gosto, ou então é daqueles organizados…

Toalha, onde estará?

Com a boca cheia de espuma sorrio para o meu yuppie que acaba de entrar na casa de banho.
Próximo Retalhista: Manannan

Sunday, May 22, 2005

Contribuições para o Estudo da "Gaja Boa"

Gajas... Não sou especialista na matéria mas ao longo dos anos tenho recolhido algumas informações que poderão parecer importantes e acima de tudo interessantes.

A gaja boa tem que ter uma série de características intrínsecas ou à falta das mesmas saber disfarçar o que não se tem.

As características são corpo estonteante, rosto atractivo, sentido de humor, ter uma boa cultura geral para poder conversar com toda a gente. As duas primeiras características são obrigatórias, sendo as seguintes opcionais, afinal a “Gaja Boa” serve essencialmente para uma coisa…

Temos todos que ter consciência que manter uma relação com uma gaja boa é um risco. Nunca estamos descansados por muito que confiemos nela. Sabemos e temos a certeza que namorar com um espécime destes é a mesma coisa que jogar na roleta, tanto podemos ganhar como perder tudo de um momento para o outro.

Quando há histórias de traição à nossa volta, tcp* “facadinhas no matrimónio” nunca é com gajas razoáveis ou menos boas ou ainda horríveis, invariavelmente são sempre gajas boas que estão envolvidas.

É claro que deve valer a pena correr o risco de manter uma relação com uma gaja boa, pelo menos para sentir nas costas as facadas da inveja dos outros homens.

* Também conhecido por - subtil referência a aka (also knowned as)

Friday, April 08, 2005

Post n.º 1

Queriam...